A falta de responsabilização é a raiz deste mal.
Fomenta-se a irresponsabilidade dos alunos, aos quais não são exigidas próvas sérias de aproveitamento. Os alunos avançam nos estudos sem avaliação ou com avaliações mínimas. Mesmo no acesso à Universidade, as avaliações tornam-se patéticas pelo facto se aceitar o ingresso de alunos com classificações ridiculamente baixas: Em nome duma suposta "democratização" (a palavra já serve para tudo), destrói-se a qualidade do ensino. Pior: Destrói-se a qualidade dos estudantes.
Fomenta-se a irresponsabilidade dos professores (universitários e não só) que ao longo da sua carreira são sujeitos a poucas ou nenhumas provas de competência: Uma vez conseguida a posição, deixa de ser necessário manter o nível de competência, pois deixam de ser exigidas provas do mesmo.
Os raros casos em que os professores, pondo o brio diante do bom-senso, exigem dos estudantes o que seria normal (aprendizagem e aproveitamento) e se recusam a baixar o nível de exigência, conduzem amiúde a situações de revolta por parte dos estudantes maciçamente reprovados, que reclamam junto dos superiores hierárquicos do professor, terminando a situação no recúo do professor: O nível de exigência baixa (adaptando-se à ignorância dos alunos em vez de servir para os incentivar a aprender) e o professor imprudente "aprende": Entra no "esquema", não faz ondas e nunca mais repete a proeza de querer avaliar convenientemente os alunos.
A responsabilização tornou-se, em Portugal, numa palavra maldita. É acima de tudo ela que deve ser reabilitada.
José Manuel Sebrosa